segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Quebradêra indica
João Acuio é dono da abordagem mais original que já vi sobre o tema. É autor ainda de uma pérola em livro chamada Céu em Transe. Só este nome já vale uma conferida na coisa.
Ele me deu o livro de presente faz alguns anos já, e eu viajei nos mapas astrais de Leminski, Curitiba e... do Batman! Sim, o cara traçou o mapa astral do Cavaleiro das Trevas, senhores!
Bem, o site está com link ali ao lado e o endereço é este: http://www.saturnalia.com.br/. Boa leitura.
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quinta-feira, 27 de agosto de 2009
terça-feira, 25 de agosto de 2009
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Hoje Leminski faria 65 anos. Feliz aniversário!
polaco do pilarzinho
.
você se foi
morreu mocinho
como um bandido que sabia latim
.
mas hoje é seu aniversário
e estamos de parabéns
nós, você não
.
a morte é uma apoteose sem palmas
longo silêncio mudo em ação
eco oco surdo das almas
.
esses 65 anos não são seus
são nossos
dos que ainda têm sua carne sobre os ossos
.
Thadeu Wojciechowski, o polaco da barreirinha
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domingo, 23 de agosto de 2009
Vou festejar!
Sem maiores comentários. Apenas citando a grande, maiúscula, enorme, gigante vitória do Furacão instantes atrás diante do São Paulo. Fransérgio, partidaço. Paulo Baier, brincando de deus mais uma vez com gol e tudo. 1x0 aos 42 minutos do segundo tempo. Eles nunca ganharam do Atlético aqui, e hoje não foi diferente. Ainda, como registro, a inauguração da nova arquibancada na Brasílio Itiberê, fechando finalmente o estádio mais bacana do mundo. E a música a seguir, imortalizada nas vozes de Jorge Aragão e Beth Carvalho, vai pro nosso amigo Dagoberto (alô, Rubens K! lembra do teu vizinho?). Azar dos Bambis! Aqui é o Caldeirão! O Furacão voltou! Canta, nação rubro-negra!
Vou Festejar
Chora, não vou ligar
Chegou a hora
Vais me pagar
Pode chorar, pode chorar (mas, chora!)
É, o teu castigo
Brigou comigo
Sem ter porquê
Eu vou festejar, vou festejar
O teu sofrer, o teu penar
Você pagou com traição
A quem sempre lhe deu a mão
La laia, la laia
La la la ...
(João Bosco, Dida, Neoci)
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sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Receita do Renatão

Ingredientes:
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Não dê pipoca aos turistas
Eu gosto de Cu ... ritiba
Eu quero ir fundo
No meio do mundo
Aqui é o lugar
Olhar as meninas
Da Praça Osório
Pela janela do meu escritório
Pegar meu salário
Dançar no Operário
Na Riachuelo comprar mais um selo
Pra te mandar um postal.
Passar pela Praça
Do homem pelado
O Passeio Público fica ali do lado
De onde se vê as coisas mais claras
Dando pipoca às capivaras
A noite é feia
Meu coração é quente
Eu quero ir fundo
Eu quero ver gente
Tomar um chopinho
Na Praça Tiradentes
Deixar pendurado na mão do gerente.
(Carlos Careqa)
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sou poeta
parem
eu confesso
sou poeta
cada manhã que nasce
me nasce
uma rosa na face
parem
eu confesso
sou poeta
só o amor é meu deus
eu sou o seu profeta
p. leminski
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segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Woodstock 40 anos
.jpg)
O dia em que Paulo Baier brincou de Deus
Ontem eu estava em um domingo como tantos. Acordando tarde e com muito sono. Sem ressaca, nem nada, apenas sono. Daí toca o telefone e era o Luiz, da agência. Uns clientes nossos liberaram um camarote pra gente ir à Arena da Baixada ver o Furacão contra o excelente time do Barueri.Convidei a Kathia a fomos a pé, em animada caminhada do centro até minha querida Baixadinha da Água Verde, ali por detrás da Estação, depois avenida Iguaçu, curtindo a arquitetura do velho Rebouças e tal.
Eu aproveitei pra ligar pro Coelio, que tá indo pra Londres, e pediu emprestado meu cartão de ônibus/metrô/trem, um Oyster Card, que eu trouxe de lá. Assim ele não precisaria comprar outro, só recarregar e já economiza alguns pounds na viagem. O Coelio mora na Iguaçu e marcamos em frente ao estádio, onde ele foi nos encontrar. Daí boa viagem pro Coelio e encontramos o Luiz e a Carla e entramos.
Nunca tinha ido de camarote na Baixada. Garçom, banheiro privativo, tevê pra ver os replays, cadeiras estofadas mais confortáveis que as do Guaíra. Ahá, eu hein? Lá sou disso?
Os nossos lugares eram atrás da Fanáticos, então a barulheira foi aquela, com a maior fumaceira e a cantoria da galera. Meio over pra um homem quase de meia idade como eu. Mas tá tudo certo.
Enfim, o melhor estava por vir. Há muito, muito tempo, não via o Atlético jogar tão bem, com a torcida apoiando, sem choradeira e cornetagens. Um verdadeiro passeio. E Paulo Baier resolveu brincar de Deus. O cara simplesmente conseguia estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Onipresente, envergava da camisa dez e matou a pau. Fez dois, um deles de falta no ângulo, magistral. Sofreu o pênalti do terceiro, convertido por Marcinho. O resto foi o baile. O time inteiro jogou muito. Maravilha.
Terminamos a noite no Zapata, com nachos jalapeños e algum chope. A Kathia, que tem o imenso defeito de não ser atleticana, se divertiu muito e eu paguei minha dívida com ela, de levá-la à Baixada. Já tarde demais para os gols do Fantástico, dormi como um anjo.
Ô, domingo bom...
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Les Paul, criador da guitarra que leva seu nome, morre aos 94 anos
O músico foi hospitalizado em fevereiro de 2006 quando soube que havia sido premiado com dois Grammy pelo disco lançado após seu aniversário de 90 anos, "Les Paul & Friends: American Made, World Played"."Me sinto como um edifício condenado com um mastro de bandeira novo", brincou Les Paul na época.Como inventor, Paul ajudou a popularizar o rock'n'roll e a gravação multipista, que permite que artistas gravem diferentes instrumentos separadamente, cantem as harmonias com as gravações e depois equalizem e misturem as diferentes gravações em uma faixa final.
Com Ford, sua mulher entre 1949 e 1962, ele ganhou 36 discos de ouro e colocou 11 sucessos no primeiro lugar das paradas, entre eles "Vaya Con Dios," "How High the Moon," "Nola" e "Lover". Muitas das canções usavam técnicas de gravação que Paul ajudou a desenvolver, como o "overdub"."Eu poderia pegar minha Mary e fazer três, seis, nove, 12, quantas vozes eu quisesse", lembrou o músico. "Essa é uma bela possibilidade". A técnica do "overdub" foi muito utilizada por artistas posteriores, como os Carpenters.
A guitarra elétrica ganhou popularidade a partir de meados da década de 40, e então explodiu com o surgimento do rock nos anos 50."De repente, perceberam que força era uma parte importante da música", disse Paul. "Poder se expressar além dos limites normais de um instrumento sem amplificação era inacreditável. Hoje um garoto não imaginaria cantar uma música em um palco sem um microfone e sistema de som."
Les Paul fez experimentos com a amplificação de violões por anos antes de aparecer em 1941 com o instrumento que chamou de "The Log"."Fui em um clube e toquei. Claro que todo mundo me achou maluco." Tempos depois o instrumento foi aperfeiçoado até ter o desenho mais próximo de um violão.Em 1952, a empresa Gibson começou a produzir a guitarra Les Paul.Pete Townshend, Steve Howe, do Yes, Al DiMeola e Jimmy Page são alguns dos músicos que fizeram da Les Paul sua marca registrada.Com o passar dos anos, as séries Les Paul se tornaram uma das mais populares entre os músicos. Em 2005, um modelo de 1955 foi leiloado por US$ 45.600.
Fonte: Uol
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quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Introdução a um diário de bordo
não tive coragem
equilibrado sobre o próprio peso,
nenhuma medida
sobre maneira de dizer a verdade, mentira
às mulheres que infelicitei, felicidades
se há as que fiz felizes, saudades
tudo que escrevi,
bom dia
ao que virá,
se um dia me encontrares,
outros mares
tudo nos seus devidos lugares
blues em chicago
samba no rio
tango em buenos aires
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terça-feira, 11 de agosto de 2009
domingo, 9 de agosto de 2009
Sexta foi um dia ivânico
Você queria chamar isso de Dia Ivânico.
O primeiro Dia Ivânico deste milênio foi 01/02/03.
No ano seguinte, foi obviamente o 02/03/04.
Nestes primeiros dias ivânicos, você não tinha plena consciência da historicidade dessas datas, pois você estava na pré-história da sua loucura.
No dia 03/04/05, você talvez nem fosse mais você mesmo, uma dúvida que permanece até o dia de hoje.
Em 04/05/06, a sua confiança dava sinais de recuperação, e quem sabe uma pálida sombra daquela sua personalidade anterior ao início dos tempos ivânicos voltava a mostrar seus reflexos nas suas desfiguradas feições.
Em 2007, o dia 05/06 viu você passar e quis (mas não conseguiu) gritar-lhe:"Ivan! Atenção: sua vida está passando e este é o quinto Dia Ivânico do resto de todos os tempos!".
Já no ano passado, em 06/07/08, você devia estar começando a compreender a importância de tantos eventos significativos na sua vidinha: a época pré-consciente dava sinais de seu fim.
Hoje, você gostaria de não ter viajado em tantas considerações totalmente supérfluas, queria ter feito um texto em prosa sobre tudo que acha importante, as coisas, pessoas, ideias que ultimamente têm se revolvido no terreno baldio do seu cérebro, mas tudo acabou ficando por isso mesmo.
Preste atenção, Ivan: só restam mais quatro dias ivânicos na história do universo, e algum dia desses você vai se ver forçado a articular tudo que poderia ter escrito nestes últimos seis anos...
Ivan Justen
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sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Se for fazer literatura...
é mais importante que a confiança cega
aquilo que você sente não tem importância nenhuma
aquilo que você viu não existe
se ainda não rompeu o silêncio
do que não foi escrito,
filmado, fotografado, pintado, desenhado,
rascunhado, dito, cantado,
tocado, sentido, representado
consenso fácil se rasurado
sentido é diferente de direção
a verdade é um delírio qual aquilo que você crê
o nada é um princípio de coragem
o que você vê, você sente.
isso é verdade. mas,
queira são tomé feito signo
de toda e qualquer crueldade
se for encarar, mate. deixe que vaze
um tiro na trave ao menos é quase
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Curitiba branca de neve
foto: googleDesde a neve que caiu em mil
Novecentos e setenta e cinco
É que eu sinto
Este frio
Eu passei,
Você se derreteu
Levou contigo
Tudo que era sonho meu
Desde então espero todo agosto
Um zero grau, só pra te ver
Na esperança de você voltar
Que só geada não vai adiantar
Não fui embora ainda daqui
Nem conheci todo lugar que eu quis
Que é bem mais fácil nevar de novo
Neste cantinho do meu país
(Walmor Goes / Flávio Jacobsen)
*Samba
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Melhor definição para o que foi o Rock de Inverno 7:
de Marcos Bragatto, do site Rock em Geral.
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Gripado e em casa
Bom este tempo pra escrever, compor, ouvir velhos discos e, principalmente, ler. Não me lembrava mais a última vez que fiquei cinco dias seguidos em casa. Nunca consegui. Mas vou rever aquela antiga questão de não conseguir trabalhar onde se mora, por não ser dono de grande disciplina e tal. Acho que as coisas mudam e estou estudando o caso. Vamos ver.
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O Atlético tolheu o Cruzeiro em pleno Mineirão. Golaço de Gabriel Pimba e tudo. 2x0. O Delegado estreou com o pé direito. Este é velho colaborador do clube e conhece do riscado. Sem empolgação, vamos vendo.
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Não acredito em nada do que leio ou assisto sobre a gripe do vírus H1N1. Em meio a e-mails e boatos terroristas, gostei de um que recebi do Carlão Zubek, que ensina como a gente deve se prevenir. É simples, também, dado que é tudo que já foi dito pela vovó: comida natural, salada, frutas, sopas, caldos, gengibre e alho, muito alho. Evitar remédios e comida industrial. Tentar sempre a homeopatia. Novidade, hein? Bem, eu que peguei uma gripe fortíssima, garanto que só na base do chá de gengibre, alho, limão e mel, tô quase bom. Se tivesse adotado estes hábitos antes e evitado excesso de bebidas, cigarros e que tais, certamente nem teria contraído a doença. Valeu, Carlão. O óbvio quase sempre é o que mais resolve.
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domingo, 2 de agosto de 2009
Vitória suada e novo técnico
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sexta-feira, 31 de julho de 2009
quinta-feira, 30 de julho de 2009
terça-feira, 28 de julho de 2009
História do Pinheads
Dudu Munhoz escreveu a história de uma das bandas mais importantes da cena nacional na década de 1990, da qual foi baterista. Está sensacional. Quem quiser conferir a saga do Pinheads e matar saudades daquela época, clica aqui: http://historiapinheads.wordpress.com/...
sexta-feira, 24 de julho de 2009
quarta-feira, 22 de julho de 2009
segunda-feira, 20 de julho de 2009
20 de julho de 1969
(...)There's a starman waiting in the sky
sábado, 18 de julho de 2009
Esposa de Kaká diz que Deus deu dinheiro ao Real para contratá-lo
O que entendi é que a infeliz autora dessa declaração estava ao lado da sorridente bispa Sônia, lá da igreja Renascer, que por sua vez estava em cana devido a falcatruas com dinheiro dos fiéis. Certo. O povo crê nas benesses do Senhor a quem paga o dízimo direitinho.
Aos demais, a derrota. Humilhações. Nada de Kaká nem gols nem sucesso pra vocês que não pagam o dízimo, tá? Deus descolou uma nota preta só pro Real Madri, porque o Kaká, como diria o Rodrigão Barros, além de ser um "homem lindo, joga muito".
Ô, seu Deus! Se o Senhor não for cartola deve ser empresário de jogador. Então dá uma força aí pro Alex Mineiro vir logo pro meu Atlético! Ajuda nóis aí, vai!
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sexta-feira, 17 de julho de 2009
quinta-feira, 16 de julho de 2009
El tiempo de Verón
Foto: Uol...
Quebradêra recomenda com orgulho
Tem coisa bacana rolando na tevê. Tenho assistido ao Som & Fúria, na Globo, uma produção bacana da O2 Filmes. Muito bom.E assisti terça agora, na MTV, a estréia de Descolados, com roteiro dos meus amigos Fernanda D'Umbra e Marcelo Montenegro. Uma produção da Mixer. É pra jovem, sem as caricaturizações e afetações que a gente tá acostumado a ver por aí. Atores fodões e novos, texto limpo, em linguagem apropriada e muito bem trabalhado, além de uma fotografia digital nervosa. Maravilha. Ainda acredito em tevê. Sorte pra estes meus amigos queridos e talentosos. Sorte nossa. Toda terça às 23h30. Confiram.
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quarta-feira, 15 de julho de 2009
Verdade seja dita
– ...
– É pra não sujar o lençol, né?
– É.
– Puxa...
– Mas eu gosto. E te amo, também...
– Ah, bom... Tá certo.
Folheava o jornal. Notícias sobre a queda de mais um avião. Crise no senado e os problemas com o meio campo do escrete. Ela debruçada com a cabeça em seu colo. Colchão no chão da sala. Ela observa um trecho da novela que passa na tevê. Puxa o jornal da mão dele.
– Que foi? – ele.
– O folheto de ofertas, aqui, só um instante – ela.
– Não amassa o caderno de cultura, faz favor...
Ele vai à cozinha preparar um café. Solúvel, uma colher. Duas de açúcar.
– Vai querer?
– Sem açúcar. Com leite, por favor.
– Gosta de um leitinho, né? – irônico.
– Pára com isso. E vê se não suja nada. Olha aqui a máquina de lavar que eu te falei! Mil e duzentos pilas. Lava e seca.
Ele volta com o café. Senta na beirada do colchão.
– Tem certeza de que é isso que você quer? – ele.
– Claro! – ela.
– Então tá bom. Porra, olha o jornal aqui, todo amassado, que foda. Não sabe ler o jornal, por que pega então?
– Dá pra pagar em dez vezes – ela.
– Imagino. Lava e seca, né? Que coisa.
Ele toma o café e deita. Pega a mão dela, coloca sobre o pau, que cresce na hora.
– Vai, de novo. Vai...
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terça-feira, 14 de julho de 2009
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Feliz Dia do Rock!
Comemorar como? Ensaiando com a galera acima, que sexta-feira tem quebradêra. Um brinde!
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sábado, 11 de julho de 2009
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Um Atlético vogal
Ele não tinha os dentes da frente. Por isso, era impossível pronunciar as letras T e L. Não conseguia gritar “Atlético!”. Surgia lá dos confins do antigo ginásio de esportes, com estádio ainda vazio e soltava “Aaa ééé iii ooo!”. Ecoava por toda Baixada ainda de arquibancada com tijolinhos à vista, e as sociais de madeira em estilo art noveau. O estádio mais bonito que já vi.
Nós ainda garotos ríamos. Lá vinha o Coronel. Vendia amendoim, algodão doce, iguarias de arquibancada. Fosse o jogo que fosse, amistoso, campeonato, o Coronel ia onde o Atlético estava, por toda cidade.
O Atlético era a coisa mais importante da minha vida. Eu vivia dentro da Baixadinha. Até treino eu assistia. Chegava cedo aos jogos, e era dos últimos a sair. E lá vinha o “AAA ééé iii ooo!” retumbante. Coronel tinha este apelido não sei por quê. Era um velho polaco branco de ficar rosado.
Depois veio a juventude e a vida adulta e outras coisas tomaram meu tempo e minha alma. A minha vida e a do país mudou muito. Prioridades, dizem. Mas sou disso não. Sei lá. É a vida, e pronto. Por uns tempos o Atlético virou só um quadro na parede. Certo que eu ganhava um leve sorriso contemplativo toda vez que olhava a foto, ante o bigode do Roberto Costa e os olhos cínicos de Assis.
E vinha de memória o grito do Coronel arrepiando minha espinha. De pronto tomava outros afazeres, geralmente à máquina de escrever ou um antigo computador.
Já neste século, voltei à Baixada. O grito deste Atlético vogal, sem consoantes, já não existe mais. A impressão que tive é aquela de que a vida me tirou de lá, mas aquilo tudo não saiu de mim. Até hoje eu acho que o Coronel é um símbolo da alma atleticana, de um Atlético que a gente sempre pensa que é só nosso. Bobagem, talvez.
Me disseram, sei lá quando, que o Coronel morreu. Sei lá se teve minuto de silêncio ou não, mas um dia quero conclamar o grito da moçada, o grito do Coronel. Ele deve estar bradando sobre as nuvens do algodão doce que vendia, lá no céu de Caju e Jofre Cabral.
Hoje tem um outro quadro na parede: Gabiru, Geninho, Gustavo, Kleber e os olhos igualmente cínicos de Alex Mineiro. E vem o grito de novo.
“Aaa ééé iiii ooo!”. Olho para o caos do trânsito lá em baixo e volto ao teclado. Mas estou definitivamente de volta.
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quinta-feira, 9 de julho de 2009
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Teaser
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terça-feira, 7 de julho de 2009
domingo, 5 de julho de 2009
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Evite-me
ao que é meu
procure-se
se se perdeu
empreste-me
se eu prestar
dane-se
se não gostar
então vá
desencantar
noutro lugar
poupe-me
do seu pensar
ache-se
se quer achar
resolva-se
se resolver
queira-me
se quiser bem
senão
evite-me
que vou passar
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quinta-feira, 2 de julho de 2009
No 'Estado de S. Paulo' de hoje
Festa após título, com orações em campo e mensagens na camiseta, provoca polêmica
Jamil Chade
A comemoração da seleção pelo título da Copa das Confederações e o comportamento dos jogadores brasileiros após a vitória sobre os Estados Unidos causam polêmica na Europa.
A queixa é de que o time brasileiro estaria usando o futebol como palco para a religião.
A Fifa confirmou ao Estado que mandou um alerta à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pedindo moderação na atitude dos jogadores mais religiosos, mas indicou que por enquanto não puniria os atletas, já que a manifestação ocorreu após o apito final. Ao virar o jogo contra os EUA, os jogadores da seleção fizeram uma roda no centro do campo e rezaram.
A Associação Dinamarquesa de Futebol é uma das que não estão satisfeitas com a Fifa e quer posição mais firme.
Pede punições para evitar que isso volte a ocorrer.Com centenas de jogadores africanos, vários países europeus temem que a falta de uma punição por parte da Fifa abra caminho para extremismos religiosos e que o comportamento dos brasileiros seja repetido por muçulmanos que estão em vários clubes europeus hoje. Tanto a Fifa quanto os europeus concordam que não querem que o futebol se transforme em um palco para disputas religiosas, um tema sensível em várias partes do mundo.
Mas, por enquanto, a Fifa não ousa punir a seleção brasileira. "A religião não tem lugar no futebol", afirmou Jim Stjerne Hansen, diretor da Associação Dinamarquesa.
Para ele, a oração promovida pelos brasileiros em campo foi "exagerada". "Misturar religião e esporte daquela maneira foi quase criar um evento religioso em si. Da mesma forma que não podemos deixar a política entrar no futebol, a religião também precisa ficar fora", disse o dirigente ao jornal Politiken, da Dinamarca. Ao Estado, a entidade confirmou que espera que a Fifa tome "providências" e que busca apoio de outras associações. As regras da Fifa de fato impedem mensagens políticas ou religiosas em campo.
A entidade prevê punições em casos de descumprimento.
Por enquanto, a Fifa não tomou nenhuma decisão e insiste que a manifestação religiosa apenas ocorreu após a partida.
Essa não é a primeira vez que o tema causa polêmica.
Ao fim da Copa de 2002, a comemoração do pentacampeonato brasileiro foi repleta de mensagens religiosas. A Fifa mostrou seu desagrado na época.
Mas disse que não teria como impedir a equipe que acabara de se sagrar campeã do mundo de comemorar à sua maneira.
A entidade diz que está "monitorando" a situação.
E confirma que "alertou a CBF sobre os procedimentos referentes ao assunto".
A Fifa alega que, no caso da final da Copa das Confederações, o ato dos brasileiros de se reunir para rezar ocorreu só após o apito final.
E as leis apenas falam da situação em jogo. Por meio de sua assessoria de imprensa, a CBF informou que não recebeu nenhuma queixa da Fifa e, por isso, não vai comentar o assunto.
TEMA RECORRENTE
Nos últimos anos, o tema da religião no futebol ganhou uma nova dimensão.
Frank Ribery, artilheiro francês, provocou polêmica há poucas semanas ao ser flagrado por uma câmera rezando pelos costumes muçulmanos.
Recentemente, dois jogadores bósnios do time norueguês Sandefjord comemoraram um gol se ajoelhando e rezando da forma tradicional muçulmana.
Um outro jogador do mesmo time não se conteve e fez gestos vulgares aos dois atletas.
Fonte: Juca
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Cure for Pain, Morphine

Esses dias um baixista – um excelente baixista, diga-se – estava aqui em casa. A gente conversava sobre o Sandbox, do Mark Sandman, e ele começou a me contar por que o Sandman resolveu deixar o baixo com apenas duas cordas e fazer meio que uma revolução no instrumento na época. A história é mais ou menos a seguinte. Sandman era um guitarrista na essência, tanto que a forma como ele tocava baixo, a posição da mão nas cordas, era de quem tem familiaridade com guitarra. Só que ele se apaixonou pela sonoridade grave do baixo e resolveu fazer do Morphine uma banda com baixo de duas cordas, modelo fretless, além do sax e da bateria. Assim conseguia um som único, limpo, ‘mais fácil’ e sem intromissões desnecessárias. A mim, parece mais intenso e melancólico.
A minha paixão por Morphine é antiga. Gosto de todos os discos da banda. Admiro a poesia, a perfeição da harmonia. Sou viciada na voz de Mark Sandman, preciso dela para que as coisas tenham mais sentido e a vida seja mais bonita. Cure for Pain, segundo disco da banda, de 1993, é mais importante do que os outros porque é a trilha sonora perfeita para todos os momentos, sozinha ou acompanhada, feliz ou pessimista. A música que dá nome ao disco diz: Where is the ritual/ Where is the taste/ Where is the sacrifice/ Where is the faith/ Someday there’ll be a cure for pain/ and that’s the day I throw my drugs away/ Where is the cave/ Where the wise women went/ and where’s all the money that I spent?/ I propose a toast/ to my self control/ See it crawling helpless on the floor.
Não é à toa, provavelmente, que uma vez ouvi dizer que o Morphine foi eleita a banda mais sexy dos anos 90 (desculpem-me, mas apesar de ser jornalista, nesse caso não estou à procura de confirmação de fatos. Pode ser que sim, pode ser que não, mas como gosto incondicionalmente, isso virou a verdade). Acredito que ele, o Sandman, fez durante a vida uma ode às mulheres e me incluo entre elas. Acredito que ele era um cara romântico sem ser piegas. Acredito que ele nem sofria tanto quanto cantava que sofria. Acredito que ele teve muitos casos amorosos e que os nomes femininos de inúmeras músicas são os nomes delas. Acredito que ele foi um cara bacana que gostava de olhar o que estava acontecendo em volta. Acredito que ele encontrava a cura para a dor na música. E pra mim isso basta.
Acho que o nome Sandman tem ligações ocultas e fantásticas com o personagem imortalizado por Neil Gaiman na série homônima, assim como na minha cabeça há ligações, e talvez já tenham feito teses acadêmicas sobre isso, entre Morphine, morfina, Morpheus (deus do sono) e os quadrinhos dos Perpétuos. Como o Mark já morreu – em 99, no palco enquanto cantava –, continuo pensando em como que ele chegou nisso tudo, sem a mínima intenção de achar a resposta. Para mim, Cure for Pain faz parte de um ritual: abrir as janelas, apagar as luzes e deitar no chão para sentir a música. Talvez isso faça dele o álbum mais importante da minha vida.
Melissa Crocetti é jornalista e trabalha para a View Editores, em Curitiba. Gosta de livros (Henry Miller, Fante, Bukowski), fotografia (Diane Arbus, Trent Parke), música (Morphine, The Clash, PJ Harvey), pretende ter uma editora e ser vocalista de uma banda de rock. Este texto foi produzido para uma série da Revista Etcetera.
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quarta-feira, 1 de julho de 2009
Deu na BBC: esse cara disse tudo
Por Ricardo Acampora
A conquista da terceira Copa das Confederações pela seleção brasileira foi intensamente comemorada pelos jogadores e comissão técnica. Afinal, o título veio com uma vitória de virada, conquistada com muita determinação por um time que se por um lado não tem o brilhantismo de outras seleções brasileiras, por outro mostra espírito coletivo e grande união.
A vitória do Brasil sobre o esforçado time dos Estados Unidos era esperada e portanto não chegou a surpreender. O que surpreendeu mesmo foi o fervor religioso demonstrado explicitamente por inúmeros jogadores que aos poucos foram revelando o amor a Jesus em mensagens em inglês estampadas em camisetas que vestiam por baixo da famosa camisa canarinho.
Os comentaristas da BBC que acompanharam a final também não estavam preparados para a reza coletiva, com todos ajoelhados, de mãos dadas, num círculo feito em pleno gramado que incluiu até a comissão técnica. Um deles disse que o capitão Lúcio parecia um pregador evangélico pela emoção com que proferia cada palavra.
Num lugar como a Grã-Bretanha, onde o povo está acostumado a conviver respeitosamente com diferentes religiões, surpreende o fato de atletas usarem a combinação entre um veículo de grande penetração como a televisão e a enorme capacidade de marketing da seleção brasileira, para divulgar mensagens ligadas a crenças, seitas ou religiões.
Se arriscam a serem confundidos com emissários de pregadores dispostos a aumentar o número de ovelhas de seus rebanhos às custas do escrete canarinho, como emissários evangélicos em missão.
Para os críticos deste tipo de atitude, isso soa oportunismo inadequado e surpreende ver que a Fifa não se opõe a que jogadores se descubram do "manto sagrado" que os consagrou para exibir suas preferências religiosas.
Será que a tolerância da entidade teria sido a mesma se ao final do jogo algum jogador mostrasse uma camiseta dizendo "Eu não acredito em Deus" ? Ou se outro fosse um pouco além e gravasse no peito algo como "Essa vitória foi obtida graças ao esforço dos jogadores sem nenhuma interferência divina ou sobrenatural"?
É comum ver atletas fazendo sinal da cruz ao entrar em campo, beijando anéis, medalhas de santos, cruzes e patuás que trazem pendurados em cordões e apontando aos céus como a agradecer pelo gol marcado. Ninguém tem nada a ver com manifestações individuais.
Mas uma manifestação coletiva, explícita e organizada como um ritual religioso pode dar margem a críticas ao ser associada a um bem público, a uma instituição tão democrática como a seleção brasileira.
A religiosidade de cada um seja ela qual for merece respeito, da mesma forma como merece ser respeitada a falta de religiosidade daqueles que assim optaram a seguir a vida.Se a moda pega, a Fifa corre o risco de ter a Copa do Mundo do ano que vem cheia de manifestações religiosas, com missas, cultos e pregações diversas após cada partida.
O povo merece continuar torcendo pelo futebol de sua seleção, independente da reza, sessão espírita, ponto, ritual de sacrifício, sermão ou pregação.
Afinal, futebol é bola na rede, o resto é conversa.
http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/esporte/
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Hoje
terça-feira, 30 de junho de 2009
Tão putinha
Que a praça parava de pombos
Não havia nada mais
Não ventava, não chovia,
Nem sorria
Uma tarde como tantas esquinas
Dobradas, cinzas, sem vida
Mas com aquela carinha...
Eu me desdobrava, eu me embranquecia
Eu vivia, como eu viveria
Enfrentaria o ar que na minha cara
Aquela hora ardia
Ela era tudo que eu queria pensar,
Estar e agradar, e correr atrás
Daria a vida de Jesus por Barrabás
Outro ladrão que se me apresentar
E cantar, e dizer, como digo agora,
Tudo que jamais
Diria, nem sob efeito daquela
Que se me alivia, me joga
Essa droga
Sobre a mesa, e outras que tais
Agora, por favor,
Que eu já disse tudo que você queria
Não judia... não judia...
Eu fiz tudo que podia
Quer ou não quer ser a minha
Sem-vergonhinha?
Dá uma ajudinha
Faz o que quiser
Mas este filho da puta
É também de santa Maria
Então, por favor, não judia...
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segunda-feira, 29 de junho de 2009
Hoje
Rubens K fotógrafo

“Não me apareçam gordos e de salto alto ano que vem!”
Foto: UolDeu Brasil. De virada. Jogão de bola e com a dificuldade que se previa. A seleção dos EUA não é mole, mesmo. Torço pra que eles (os EUA) vão à copa e façam bonito como fizeram agora. Tudo pelo novo neste velho esporte.
Já o Brasil, tá tudo certo. Ganhou, jogou bonito, com raça e aplicação. Dunga deu padrão ao time e pelo jeito faz o gênero Felipão, sem dar moleza pra vagabundo se folgar com a amarelinha.
Quanto à festa dos meninos, bacana, apesar de sempre aquela coisa chata depois do jogo, de “i belong to jesus”, etc. Que malas. Vai expor tua fé lá onde tu reza ô, babaca. Ninguém quer saber do deus que você acredita ou o tamanho da tua crença. Ou você acha que deus vê tevê? Joga tua bola e não enche o saco.
E a frase acima, que dá título a este post foi proferida por Tino Marcos, da Globo. Falou e disse, Tino! (eu sou do tempo do “falou e disse”).
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domingo, 28 de junho de 2009
Aniversário do Ivan Santos - Abranches
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Bye, little boy

quinta-feira, 25 de junho de 2009
Deu América!
Alguns cronistas bem que avisaram. Eu mesmo faz algum tempo vejo meio que estampado na cara. Sim, a poderosa Espanha, perdeu para os Estados Unidos! 2 x 0 inquestionável.
Sempre simpatizei com a seleção dos EUA, desde que ouço de infância a história da heróica e ainda mais improvável vitória em um jogo da copa de 1950, aqui mesmo no Brasil, quando eliminou a poderosa Inglaterra. Uma seleção de abnegados, formada por descendentes de europeus num país que até hoje não tem o futebol bretão como esporte reconhecido pela massa. No futebol, os Estados Unidos da América, todo poderoso, são o "outro". São o terceiro mundo.
Depois, quando estes mesmos sediaram a copa de 1994, ano do nosso tetra, gostava de ver jogar aquele time, que tinha um zagueirão grunge e era ao lado do Brasil o escrete mais mestiço. Bacana.
Fizeram bonito em 2002 e só não tiraram a Alemanha porque o goleirão Oliver Kahn fez milagres. Deu Brasil de novo naquela copa.
Ontem, mais uma vez o improvável. Sou dos raros que gostam sim de chamar os EUA de América. Sei lá. Sei que é errado, mas eu gosto.
Se Dunga e seus comandados passarem pela África do Sul, daqui a pouco, devem ganhar dos EUA domingo, mas, barbas de molho é sempre bom. Por sinal, queria aquele negão centroavante no meu time. Já!
Sim, senhores! O mundo está perdido. Os EUA tem futebol! E do bom! Salve a América.
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quarta-feira, 24 de junho de 2009
Clausura
Interior noite. Ao som de um despertador, Danilo acorda assustado. Dá conta da realidade. Sorri aliviado. Acende um cigarro, mirando o teto. Põe-se a refletir brevemente.
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Exterior dia. A cena vai para uma panorâmica do aeroporto Afonso Pena, nos arredores de Curitiba. Em aproximação, vão surgindo detalhes minuciosos de uma mulher, bastante composta, que desembarca vinda do exterior. Desce as escadas da aeronave, olha ao redor, vai em busca de suas bagagens. Toma um táxi, que a leva para casa.
Panorâmica da Avenida das Torres, skyline do centro da cidade, que se apresenta imponente, dando um tom bastante urbano a toda fotografia.
Teresa é deixada em uma rica casa no Jardim Social. Recolhe suas malas e vai à porta da mansão. É recebida por Maria. A morena (muito sensual) olha para a patroa de forma lasciva, dando pouco a entender. Cumprimentos rápidos, Maria leva a bagagem enquanto Teresa vai ao lavabo. Um longo travelling segue-se então, ao som de uma trilha sonora tensa e inebriante, revelando detalhes da portentosa casa, e da vida de seus habitantes. Uma ampulheta chama atenção. A câmera passeia por troféus de caça e golfe, tabuleiros de xadrez e gamão, esculturas, uma pintura a óleo de Danilo e Teresa, da época de recém-casados, fotos das crianças, o fogo da lareira, o piano, até Teresa saindo do lavabo. A câmera a persegue pelas escadas rumo ao quarto do casal.
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Interior dia. Ao entrar, Teresa depara-se com uma cena surpreendente. Danilo está em uma jaula, uma espécie de gaiola, defronte à cama de casal, emendada ao banheiro da suíte. Danilo está barbudo, com um pijama velho, em estado bastante precário. Dentro da cela, Danilo tem uma mesa, uma cadeira, um colchonete e uma máquina de escrever.
Teresa não acredita. Revolta-se. Ele, mudo. Ela vai ao seu encontro agressiva, perguntando o que diabos significava tudo aquilo.
Segue-se um diálogo bastante pesado, encoberto pela trilha sonora. Arrependimento, culpa, crises conjugais, amantes, filhos no exterior, detalhes de um longo casamento de vinte anos. Mágoa. Muita mágoa.
Teresa, em um rompante de fúria, atira um relógio despertador na parede. A câmera capta tudo, em detalhes fractais. Despertador quebrado ao chão. Sempre o tempo corroendo a vida de toda gente.
Segue um silêncio. Olhares. Danilo mantém-se irônico, tentando explicar que sua vida acabou, que seu casamento é uma prisão. Que prefere viver recluso, qual se encontra, a continuar com tudo aquilo. Teresa dá de costas, pensativa, acendendo um cigarro de filtro branco longo peculiar a mulheres quarentonas. Close em seu semblante. Teresa é uma dessas mulheres irascíveis, coléricas. Ela é bonita e nervosa. Muito bonita. Muito nervosa. Danilo é desses caras bonachões, boêmios. Engraçado, mas melancólico. Teresa é David Lynch. Danilo é Billie Wilder.
De repente, o relógio rompe o silêncio, em alarme, girando quebrado no chão do quarto. Maria adentra o local (Maria é Rogério Sganzerla).
- Dona Teresa, seu tempo acabou. Retire-se por favor....
A frase da empregada ecoa: “seu tempo acabou, por favor, retire-se...”, assim por diante, repetidamente, ao som da mesma trilha sonora tensa.
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Interior noite. Corte para Danilo, repetindo a cena inicial, acordando, e depois sorrindo. Acende um cigarro, olhando para o teto. Agora, Danilo é Buñuel.
Sobem os créditos.
Fim.
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terça-feira, 23 de junho de 2009
segunda-feira, 22 de junho de 2009
domingo, 21 de junho de 2009
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Ame-as ou deixe-as
Vez em quando ainda encontro com uma arvorezinha dessas bem simpáticas. Mas já ressequidas, magras, velhas. Quando ainda dão seus frutos, são de um amarelo feito sorriso que não se quer dar.
As ameixeiras de hoje em dia se parecem com aquelas velhinhas, tão raras, tricotando nas varandas, deixando o tempo passar sereno. Quase não as vemos mais.
Quando cheguei por aqui, não havia casa de bairro que não tivesse em seu fundo um pé de ameixa, das amarelas. Ladeado a limoeiros espinhosos, de limão rosa – ou caipira, como dizem. Também alguns pés de pêssego ou jaboticaba.
Minha lembrança agora desta espécie de fruta, e as maravilhas da internet, me levaram a saber que se trata da nêspera. Este é o nome da nossa ameixa, e sua origem é chinesa. Nêspera. Seu maior produtor é o Japão, seguido por Israel e Brasil.
Lembrei. Tudo me veio à mente assistindo a Paradise Now, filme que conta a história de dois homens-bomba na Faixa de Gaza, em que notei na paisagem desértica da Palestina, a presença da ameixa amarela. Várias nespereiras, a cada cena. Pensei que, puxa vida, até no deserto tem ameixa, e aqui não mais.
Seus frutos amadurecem no final do inverno e início da primavera. Fazíamos a festa trepados nas suas árvores, entre um jogo de bulico e uma pelada contra a turma da rua de baixo, sujos em nossos kichutes. Encardidos como rezava a fama da nossa equipe.
Leminski deixou um haicai para a ameixa, de tantas que por certo via. “Ameixas / ame-as / ou deixe-as”. Uma bela tirada com o slogan dos militares que avisava “Brasil, ame-o ou deixe-o”, como um pequeno recado aos que estavam insatisfeitos com as agruras do regime.
Quem sabe a exportação de ameixa amarela nunca foi um forte na economia aqui da cidade, por sermos além de grandes produtores, também os seus maiores consumidores. Não me recordo de ver um pomar de ameixeiras. Era uma fruta de quintal, algo como um presente .
Vai lá foi um sábio oriental que largou a primeira semente, em tempo muito ido. Pode ter vindo curar algum polaco com tosse, dado que a Wikipédia me informa de novo que a fruta era usada como expectorante.
Sabiás de peito alaranjado ou amarelo, que lembro ver se alimentando nos pés de ameixa, devem ter espalhado as demais, daqui até os Campos Gerais.
Não sei por que elas sumiram. Imagino que pela urbanização desenfreada. Também não fui ao Google para tentar saber como realmente apareceram por aqui. Pra mim, elas surgiram no olhar, depois no paladar, e lá ficaram. Vezes que as vejo. Raro. Há uma ameixeira na praça do café atrás do Guaíra. Fincada no cimento, assiste a tudo estéril, sem frutos.
Se sábios ou sabiás, não sei. Amei-as sem perguntar. Deixei-as tal e qual.
Folha de Londrina (19/06/2009)
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quinta-feira, 18 de junho de 2009
Novo livro do Reinaldão: Pornopopéia

Ok, chega de papo. É só dirigir a porra da tua mente pra nova linha de embutidos de frango da Granja Itaquerambu. Podia ser qualquer outro tema, os cristais de Maurício de Nassau, a cavalgada das Valquírias, a vingança dos baobás contra o Pequeno Príncipe. Que diferença faz? Pensa que são os embutidos de frango do Nassau, a cavalgada das mortadelas, a vingança dos salsichões contra o Pequeno Salame. Pensa no target do vídeo: seres humanos a quem coube o karma nesta encarnação de vender no atacado os produtos da Itaquerambu. Pensa no evento em que o teu vídeo vai passar — vários eventos, aliás, todos no mesmo dia em todas as filiais do Brasil. Os seres humanos vendedores de embutidos verão teu vídeo e serão apresentados ao salsichão, ao salame e até à mortadela de frango, heresias saudáveis em matéria de junkyfood que a Itaquerambu vai lançar no mercado. Mesmo a tradicional salsicha e a insuperável lingüiça de frango vão ser relançadas com outra formulação, segundo eles dizem. Quer dizer, em vez do jornal reciclado de praxe, os putos vão adicionar algum tipo de pasta de lixo orgânico pasteurizado na mistura, imagino, mais uma contribuição da Itaquerambu para um planeta sustentável.
Porra, mas eu sou cineasta, caralho. Artista. Não nasci pra rodar vídeo institucional. E de embutidos de frango, inda por cima, caceta!
Calma, calma. Pensa que o teu vídeo será visto “de Passo Fundo a Quixeramobim, do Rio de Janeiro a Corumbá”, como disse o Zuba, ao sentir minha reação pouco eufórica diante do tema. “E capricha na linguagem brasileira universal, tá?”, foi o que ele me pediu, como se linguagem brasileira universal fosse uma das opções do Final Draft ou do Magic Screen Writer. Você clica em LBU e seu texto será entendido nos pampas, serrados, praias, selvas, semi-áridos e caatingas do país, sem contar os aglomerados urbanos e seus múltiplos guetos. Teu único filme de cinema até agora, por exemplo, nunca passou em tantos lugares ao mesmo tempo. Na caatinga, por exemplo, nunca foi visto. Não que se saiba.
Volto a perguntar: qual a diferença entre arte e embutidos de frango? Ou melhor: por que embutidos de frango não podem se transformar em arte?
Mas não precisa pensar nisso agora, nem em merda nenhuma que não seja frango embutido. Faz logo essa porra, porra. É bico: oito minutos de duração, um curta-metragem. Não vai matar o artista que há em você, amice. Ou havia. Ou nunca houve nem haverá. Foda-se.
É isso aí: vídeo institucional, embutidos de frango, Granja Itaquerambu. Beleza.
O que fode é o prazo. Sempre a porra do prazo. Tá ligado que esse roteiro tem que estar escrito, aprovado, rodado, entregue em mídia DVCAM, e exibido pros vendedores até 15 dias antes do lançamento da campanha na mídia? Ou seja, daqui a nove dias. Você devia ter chamado um bosta dum roteirista qualquer pra te ajudar, desses que filam cigarro e cerveja de mesa em mesa na Merça e não perdem chance de puxar uma lousa e dar aula sobre Hal Hartley e a narrativa cinematográfica interior aos substratos descontínuos da consciência dos personagens pra alguma gostosinha basbaque de peitinhos soltos dentro de uma camiseta de pano fino. Conheço vários roteiristas desse naipe. Dúzias deles, na verdade. Tudo uma corja de bebum cafungueiro desempregado du caraio. Por uma peteca de pó e duas Original você contrata na hora um deles. Se calhar, o infeliz ainda leva teu carro no mecânico pra trocar a fricção e te faz o obséquio de encarar uma fila de banco pra pagar tuas contas atrasadas.
Bullshit. Não preciso, nunca precisei de roteirista nenhum. Merda por merda, deixa que eu mesmo chuto. Só que dessa vez travei geral. E o cara da Itaquerambu tá no pé do Zuba, que tá no meu pé, que tô em pé de guerra com os embutidos de frango. Ridículo, isso. Fala sério: nem uma réles ideiazinha pro vídeo pintou ainda na tua cabeça, meu filho. Nem a porra duma idéia de merda.
Pois é, nem a idéia.
Tá foda.
Embutidos de frango. Foda."















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