Fonte: Solda...
O blogue do Flávio Jacobsen - Quebradêra Funky Club
Dudu Munhoz escreveu a história de uma das bandas mais importantes da cena nacional na década de 1990, da qual foi baterista. Está sensacional. Quem quiser conferir a saga do Pinheads e matar saudades daquela época, clica aqui: http://historiapinheads.wordpress.com/
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Foto: Uol
Tem coisa bacana rolando na tevê. Tenho assistido ao Som & Fúria, na Globo, uma produção bacana da O2 Filmes. Muito bom.

Foto: Uol
Alguns cronistas bem que avisaram. Eu mesmo faz algum tempo vejo meio que estampado na cara. Sim, a poderosa Espanha, perdeu para os Estados Unidos! 2 x 0 inquestionável.
Sempre simpatizei com a seleção dos EUA, desde que ouço de infância a história da heróica e ainda mais improvável vitória em um jogo da copa de 1950, aqui mesmo no Brasil, quando eliminou a poderosa Inglaterra. Uma seleção de abnegados, formada por descendentes de europeus num país que até hoje não tem o futebol bretão como esporte reconhecido pela massa. No futebol, os Estados Unidos da América, todo poderoso, são o "outro". São o terceiro mundo.
Depois, quando estes mesmos sediaram a copa de 1994, ano do nosso tetra, gostava de ver jogar aquele time, que tinha um zagueirão grunge e era ao lado do Brasil o escrete mais mestiço. Bacana.
Fizeram bonito em 2002 e só não tiraram a Alemanha porque o goleirão Oliver Kahn fez milagres. Deu Brasil de novo naquela copa.
Ontem, mais uma vez o improvável. Sou dos raros que gostam sim de chamar os EUA de América. Sei lá. Sei que é errado, mas eu gosto.
Se Dunga e seus comandados passarem pela África do Sul, daqui a pouco, devem ganhar dos EUA domingo, mas, barbas de molho é sempre bom. Por sinal, queria aquele negão centroavante no meu time. Já!
Sim, senhores! O mundo está perdido. Os EUA tem futebol! E do bom! Salve a América.
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Vez em quando ainda encontro com uma arvorezinha dessas bem simpáticas. Mas já ressequidas, magras, velhas. Quando ainda dão seus frutos, são de um amarelo feito sorriso que não se quer dar.
As ameixeiras de hoje em dia se parecem com aquelas velhinhas, tão raras, tricotando nas varandas, deixando o tempo passar sereno. Quase não as vemos mais.
Quando cheguei por aqui, não havia casa de bairro que não tivesse em seu fundo um pé de ameixa, das amarelas. Ladeado a limoeiros espinhosos, de limão rosa – ou caipira, como dizem. Também alguns pés de pêssego ou jaboticaba.
Minha lembrança agora desta espécie de fruta, e as maravilhas da internet, me levaram a saber que se trata da nêspera. Este é o nome da nossa ameixa, e sua origem é chinesa. Nêspera. Seu maior produtor é o Japão, seguido por Israel e Brasil.
Lembrei. Tudo me veio à mente assistindo a Paradise Now, filme que conta a história de dois homens-bomba na Faixa de Gaza, em que notei na paisagem desértica da Palestina, a presença da ameixa amarela. Várias nespereiras, a cada cena. Pensei que, puxa vida, até no deserto tem ameixa, e aqui não mais.
Seus frutos amadurecem no final do inverno e início da primavera. Fazíamos a festa trepados nas suas árvores, entre um jogo de bulico e uma pelada contra a turma da rua de baixo, sujos em nossos kichutes. Encardidos como rezava a fama da nossa equipe.
Leminski deixou um haicai para a ameixa, de tantas que por certo via. “Ameixas / ame-as / ou deixe-as”. Uma bela tirada com o slogan dos militares que avisava “Brasil, ame-o ou deixe-o”, como um pequeno recado aos que estavam insatisfeitos com as agruras do regime.
Quem sabe a exportação de ameixa amarela nunca foi um forte na economia aqui da cidade, por sermos além de grandes produtores, também os seus maiores consumidores. Não me recordo de ver um pomar de ameixeiras. Era uma fruta de quintal, algo como um presente .
Vai lá foi um sábio oriental que largou a primeira semente, em tempo muito ido. Pode ter vindo curar algum polaco com tosse, dado que a Wikipédia me informa de novo que a fruta era usada como expectorante.
Sabiás de peito alaranjado ou amarelo, que lembro ver se alimentando nos pés de ameixa, devem ter espalhado as demais, daqui até os Campos Gerais.
Não sei por que elas sumiram. Imagino que pela urbanização desenfreada. Também não fui ao Google para tentar saber como realmente apareceram por aqui. Pra mim, elas surgiram no olhar, depois no paladar, e lá ficaram. Vezes que as vejo. Raro. Há uma ameixeira na praça do café atrás do Guaíra. Fincada no cimento, assiste a tudo estéril, sem frutos.
Se sábios ou sabiás, não sei. Amei-as sem perguntar. Deixei-as tal e qual.
Folha de Londrina (19/06/2009)
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